23/12/2013

MAGIA DE AMARRAÇÃO NA GRÉCIA ANTIGA



Na Antiga Grécia, algumas maldições de restrição foram ditas para “amarrar” fisicamente as vítimas e infligir injúria sobre elas.

Outro tipo amarrava a vítima de forma diferente, incitava nela uma paixão incontrolável (eros).

 
O nome comum para estas maldições ou feitiços era Agoge ou agogimon que significa "feitiço que conduz", porque o objetivo do feitiço era conduzir a vítima para o praticante.

 
Algumas dessas maldições mencionam partes do corpo, geralmente em tom violento, pela qual o orador encarrega agentes invisíveis de buscarem/recuperarem a vítima. Muitos feitiços desse tipo são acompanhados por um boneco amarrado representando a vítima.

 
Um exemplo de maldição erótica data do século 4 AC:

faz-se dois bonecos, masculino e feminino; o masculino segurando uma espada e o feminino de joelhos com os braços para trás. Várias vocae magicae ou palavras mágicas são escritas no boneco feminino, na cabeça, olhos, orelhas, ombros, braços, mãos, peito, barriga, órgão genital, nádegas e pés. A figura feminina é então perfurada por 13 agulhas de cobre—uma no cérebro, duas nas orelhas, duas nos olhos, uma na boca, duas na barriga, uma nas mãos, duas na pudenda, e uma em cada pé.

 
Durante cada perfuração o praticante diz:


“Eu perfuro (diz-se a parte do corpo) de (nome da vítima), que ela não possa lembrar-se de ninguém além de mim, (nome do praticante).”

 
O feitiço era então escrito numa placa de chumbo e recitado.

 
No Egito, apenas uma placa de chumbo e uma figura feminina ajoelhada, perfurada por 13 alfinetes, correspondente a este feitiço, foi encontrada em um pote.

No entanto, a figura não está inscrita. Um homem chamado Sarapammon que deseja atrair uma mulher chamada Ptolemais fez o feitiço; na placa lê-se o seguinte:

 
“Eu entrego esta magia de amarração a vós, deuses ctônicos (infernais), Plutão e Perséfone, Ereskhigal e Adônis, também chamado Barbaritha, e ctônico Hermes Thoth Phokensepseu erktathou misonktaik e poderoso Anubis Pseriphtha, que detém as chaves dos portões de Hades, e deuses ctônicos, homens e mulheres que sofreram uma morte prematura, mancebos e donzelas, ano após ano, mês após mês, dia após dia, hora após hora, noite após noite. Eu conjuro todos os deuses neste lugar para ajudarem a Antinous (dono do túmulo onde a placa foi enterrada). 


Desperte para mim e vá em cada lugar, em cada quarteirão, em cada casa, e amarre  Ptolemais, que de Aias nasceu, a filha de Horigenes, de modo que ela não possa ser unida, não seja encantada, não faça nada para o prazer de outro homem,  exceto para mim, Sarapammon, e não permita a ela comer, beber, resistir, sair ou conseguir dormir sem mim, Sarapammon.

Eu vos conjuro, finado Antinous, pelo terrível e assustador nome, ao som de cujo nome a terra se abrirá, ao som de cujo nome os rios e as pedras quebram.

Eu vos conjuro, finado Antinous, por Barbaratham cheloumbra barouch Adonai e por Abrasax e por Iao pakeptoth pakebraoth sabarbaphaei e por Marmaraououth e por Marmarachtha mamazagar.


Não desobedeça, finado Antinous, mas desperte para mim e vá em cada lugar, em cada quarteirão, em cada casa e traga-me Ptolemais, que de Aias nasceu, a filha de Horigenes. Impeça-a de comer e beber até que ela venha para mim, Sarapammon, e não permita que ela tenha experiência de outro homem, exceto eu, Sarapammon. Arraste-a pelos cabelos, pelas entranhas, até que ela não fique distante de mim, Sarapammon, e eu possua Ptolemais, que de Aias nasceu, filha de Horigenes, sujeita a mim todo o tempo da minha vida, apaixonada por mim, me amando, me dizendo o que ela tem em mente. Se você fizer isso, eu vos libertarei.”

Junto com os deuses gregos do submundo, uma deusa babilônica, divindades egípcias, daimones e o morto são invocados para a realização da maldição.

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